GEIGER, P. P. Alguns problemas geográficos na região entre Teófilo Otôni (Minas Gerais) e Colatina (Espírito Santo). In.: Revista Brasileira de Geografia V.13. N 03. P.79-118. 1951.
Pedro Pinchas Geiger possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1943) e doutorado em Programa de Pós Graduação Em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Globalização, Redes, Inserção do Brasil no Mundo, Mercosul, Urbanização Brasileira[1].
Tem os seguintes livros publicados: As Formas do Espaço Brasileiro (2003/Zahar), Dimensões do Desenvolvimento Brasileiro (1978/Campus), Geografia Geral (1964/Delta), Geografia do Brasil (1964/Delta), Evolução da Rede Urbana do Brasil (1963/CBPE-MEC), e Estudos Rurais Na Baixada Fluminense (1956/IBGE).
O artigo de Geiser (1958) é sobre alguns problemas geográficos na região que corresponde a Teófilo Otôni – MG e Colatina – ES. O mesmo está divido em quatro partes: introdução, problemas de morfologia, problemas de Geografia Humana, e uma Bibliografia sobre a Região. É importante destacar também que, os tópicos referentes aos problemas, são desencadeados noutros com uma maior especificidade de cada realidade encontrada.
É relevante que traços de uma Região Geográfica com bases no possibilismo são perceptíveis nesse escrito de Geiger, o que nos remete até mesmo a sua proposta da Divisão Geoecônomica do Brasil em três regiões (1967).
A metodologia utilizada partiu da coleta de dados da Região determinada a partir de uma visita ao lugar. Quanto a sua forma, foi utilizado um aneróide do sistema de Paulin, onde comparados os dados do instrumento referentes à sua altitude observou-se que seu funcionamento era irregular o que lhe deu apenas uma noção dos reais dados. No que diz respeito aos limites da região estudada, para evitar conflitos, a peculiar divisão ficou como conseqüente da toponímia das serras e pelos acidentes do relevo, o que tornava difícil os limítrofes.
Ao debruçar-se na leitura do material, é possível perceber em suas primeiras linhas, Geiger (1951) caracterizar a Região estudada, expor problemas geográficos como o povoamento, a morfologia da “Grande Serra” e a devastação da mata do Vale do Rio Doce. E por fim, salientar que todos esses aspectos serão estudados de Região a Região.
Quando adentra nos “problemas de morfologia” ele aborda a questão da Grande Seca, caracteriza a região entre Governador Valadares e Teófilo Otôni, expõe ainda sobre o Bloco elevado desse último lugar. Depois disserta sobre o vale do rio doce, e descreve uma Região Natural na encosta da serra. E mesmo nesse aspecto, Geiger (1951) trata da ocupação dessa região tendo por base Prado Júnior em “Formação do Brasil Contemporâneo”. E ainda, disserta sobre o bloco ao norte do rio Doce.
Sobre os “problemas de Geografia Humana”, o autor fala abordando as culturas de produção existentes na região, a carência de estudos sobre os solos, esboça no viés das ocupações das regiões estudadas, ratifica a falta de informações com mais precisão sobre o clima, e o problema da ocupação humana com o impaludismo e a falta de informações sobre esse assunto. E defende algo interessante:
(...) não se deve procurar, apenas, nas razões físicas, as explicações para as diferentes utilizações do solo ou para expansão do povoamento. É importante verificar o processo histórico das relações dos elementos físicos e humanos, o estado dos mercados e comunicações, as classes e os grupos sociais (p.98)
Ainda sobre esse aspecto, Geiger (1951) fala das grandes vias de comunicação como sendo elos comerciais, conexões estaduais e rota de migração; salienta o problema da divisão estadual dos limites da Serra; e, sobre os grupos sociais e o aproveitamento da terra, inclusive o surgimento de uma classe social, a organização de como a terra está dividida, e as culturas e extrações nesse lugar.
No desfecho da obra, ele defende que o “traçado das bacias hidrográficas indica uma situação ‘conseqüente’ aos movimentos dos blocos e não ‘antecedente’”. E conclui que para a compreensão do aproveitamento da terra, é necessário conhecer o contexto, inclusive a estrutura, as relações sociais, e ao conjunto de políticas ao qual a região está conectada.
Enfim, é notável ideais de uma possibilista região geográfica, inclusive quando percebemos o tempo desse escrito que corresponde a 1951, período em que a produção da Revista Brasileira de Geografia estava em alta, e esse entrelaçamento de aspectos físicos e humanos ficavam mais evidentes. Corrêa (2007) diz que a região geográfica é “uma entidade concreta, palpável, um dado com vida (...) abrange uma paisagem e sua extensão territorial, onde se entrelaçam de modo harmonioso componentes humanos e natureza” (p.28,29), certos que podemos aceitar em partes essa afirmação, se partimos da indagação de até que ponto vai essa harmonia?
E ainda, podemos fazer o elo com Thrift (1995) quando ele faz menção de Vidal, Marx e Jameson onde cada um destes partindo de suas vivências caracterizam e definem região. Sendo mais detalhista, um mix é possível quando segundo a caracterização em classes sociais para a Marx é em proletários/capitalistas, e para Jameson é em classe média, no caso aqui estudado é possível enxergar essas duas evidências acontecendo ao mesmo tempo no mesmo lugar, a partir do momento em os modos de produção e extração são qualificados e o grande capital impõe sobre a classe média rural.
Outra coisa interessante que converge para uma aplicação de Região Geográfica, diz respeito ao papel do geógrafo por essa escola, que segundo Corrêa (2007) “é de reconhecê-la, descrevê-la e explicá-la, isto é, tornar claros os seus limites, seus elementos constituintes combinados entre si e os processos de sua formação e evolução” (p.29), e podemos dizer que Geiger pretendeu fazer durante todo o discorrer de seu trabalho, mesmo que às vezes reconhecendo que a quantidade de informação sobre o que estava tratando não era suficiente e até mesmo não eram exatas. E ainda, preocupando-se em expor a história de ocupações dos locais estudados.
Um terceiro ponto pertinente é sobre o olhar de Geiger voltado à Geografia Humana dentro desse recorte espacial quando o mesmo destaca termos como: o grande capital procurando lucros fáceis e imediatos, a extração de madeira, a história do Brasil, a colonização, a origem étnica, a pequena propriedade, a sociedade brasileira, e as autoridades – que nesse caso refere-se ao Estado. Todos esses aspectos corroborando para o seu perfil de pesquisador sobre a Urbanização Brasileira.
Por fim algo que está intrínseco a tudo isso é a produção do geográfico, alinhado as condições climáticas e as relações sociais.
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