O município de Areia – PB encontra-se localizado no Brejo Paraibano e tem em seu território fortes marcas do período de nossa colonização, servindo assim, como uma cidade histórica, um verdadeiro museu a céu aberto, e que foi tombado como patrimônio pelos Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) e pelo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). E foi a essa cidade, que no último dia 04 de Junho do corrente ano, que a turma do sexto período de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande do Campus Sede, organizada pelo Prof. Ms. Thiago Romeu ministrante da Disciplina Geografia Cultural visitou o lugar.
Na ocasião, tivemos como guias: Raffael Lima (guia principal do estudo), Tiago (guia da Mata do Pau Ferro) e Maria Júlia (guia e anfitriã do Engenho Triunfo). E como professor auxiliar, o Doutorando Lincoln Diniz.
As atividades foram distribuídas de acordo com tempo determinado para o Estudo, procurando presenciar os locais mais relevantes da Cidade. Como podemos observar abaixo, buscamos enfatizar um agrupamento de informações que nos traduzisse a história e cultura areiense.
| Distribuição das Atividades durante o Dia de Estudo de Campo | |
| Horário | Local Visitado |
| 09h:15min | Passada pelo Município de Lagoa Seca – PB |
| 10h:10min | Chegada ao Município de estudo: Areia – PB |
| 11h:30min | Campus II da UFPB – Centro de Ciências Agrárias/CCA |
| 12h:10min | Museu da Casa Grande – UFPB |
| 12h:45min | Centro Histórico – Theatro Minerva |
| 14h:22min | Bar do Chifre |
| 14h:25min | Colégio Santa Rita |
| 15h:20min | Engenho Triunfo |
Algo interessante no município de Lagoa Seca – PB
Englobado na Região Metropolitana de Campina Grande (RMCG), o município de Lagoa Seca, apresenta uma marca interessante como limítrofe do Centro Urbano Campinense que é a presença dos condomínios horizontais. Só de passagem nessa área pudemos observar três dessas modalidades de moradia: o Sierra Home Resort, o Nações Residence Privê e o Atmosphera Residence. Constatando assim, uma reconfiguração nos usos desses espaços oriundos da nova dinâmica estabelecida com Lei Complementar 92/2009 e efetiva a RMCG.
A Paisagem do Brejo Paraibano
Chegada ao Município de Areia – PB e visita ao Parque Ecológico Mata do Pau Ferro
Chegamos à Região do Brejo Paraibano, mais precisamente no Município de Areia por volta das 10h:10min e com uma temperatura de 26ºC. Foram abordados temas como a significância da Cidade para todo o território nacional, e como resultado disso, salientou o guia Raffael Lima, Areia é a única Cidade da Paraíba tombada pelo IPHAEP e pelo IPHAN.
Foi discutido que a predominância arquitetônica da Cidade é colonial, ou seja, é de arquitetura portuguesa. Quando tratamos das culturas do lugar, o prof. Ms. Lincoln Diniz afirmou que é uma região de policultura regional, possuindo em sua circunvizinhança o surgimento de favelas devido às migrações do rural para o urbano. Salientou ainda, que é forte tanto no Brejo quanto no Agreste a pecuarização como cultura de produção.
Podemos perceber também, uma valorização imobiliária em Areia, já que a migração tem sido evidenciada. E como fruto disso, o condomínio Vales de Areia na entrada da Cidade marca esse processo.
Quando adentramos na Mata do Pau do Ferro, a presença do guia Tiago foi encorpada ao Grupo. Ele ressaltou que de 1922 a 2005 aquele lugar foi considerado uma Reserva Ecológica, e que a partir da metade de 2005 mudou-se essa nomenclatura, para Parque Ecológico, já que essa é mais abrangente.
O nome da mata para Pau Ferro é referente à presença dessa árvore que é da família do Pau Brasil é encontrada no Parque.
Fizemos a Trilha do Cumbre, um passeio básico e que passa as informações cruciais do lugar. A mata encontrada é a Atlântica, Mata de Brejo de Altitude. A área possui 607 hectares e com solo pobre.
No viés de consciência ambiental, o guia Tiago expos que com a presença dos jipeiros a trilha vem sendo paulatinamente destruída, e que a sociedade areiense não a importância devida nem a Mata nem a história que ela possui.
No CCA/UFPB...
Fundado por José Américo de Almeida em 1934, o Campus II da UFPB – Centro de Ciências Agrárias – foi a primeira Instituição de Ensino Superior do estado da Paraíba. Possui uma área de 150 hectares e muita história que para ser contada.
O local nos anos de 1800 foi o antigo Engenho da Várzea, nele encontramos bambu asiático trazido no início do século XX que podemos alcançar de 20 a 30m.
Encontramos ainda o Museu do Brejo Paraibano (conhecido como Museu da Rapadura), lá o guia Raffael Lima explanou sobre o modo de produção daquela época e fez a diferenciação entre engenho tradicional e o industrial, pautando que no encontrado no Campus era Industrial e com máquinas de tração humana e animal.
A Casa Grande (UFPB)
Na Casa Grande que hoje é um museu, foram explanados os costumes da época, as crenças, os mitos e a própria estrutura da casa.
O Centro Areiense
Ao percorrer as ruas do Centro de Areia víamos a história escrita nas casas, igrejas e estabelecimentos comerciais. Um local que não passou desapercebido foi o Theatro Minerva, o mais antigo do Estado da Paraíba.
Construído em 1859 por uma associação de moradores e com traços coloniais, o teatro ainda hoje é “vivo”, ou seja, é usado para apresentações culturais e está em boa conservação.
É importante destacar que, segundo o guia, o teatro serviu de inspiração para a criação dos outros três mais antigos do Estado, e dentre esses, o Theatro Santa Rosa, na Capital Paraibana João Pessoa.
O Bar do Chifre
Uma peculiaridade encontrada no município e que atrai um público seleto e a turistas, e que já teve reconhecimento tanto nacional quanto internacional é o Bar do Chifre. Um lugar descontraído, engraçado e que já faz parte da cultura daquele povo e daquele lugar.
“Quem leva chifre é privilegiado” afirma o Sr. Aurélio, gerente do bar, ao se referir a que público aquele ambiente é destinado, e para motivar a permanência do nosso grupo no local.
Colégio Santa Rita: Tradição e Referência
Dirigido por freiras de ordem franciscana e possuindo o marco zero com 618m de altitude acima do nível do mar, o Colégio Santa Rita é percebido e apresentado como uma escola de tradição na cidade, tendo os personagens areienses históricos que estudaram por lá, e como referência já que possui um padrão religioso no ensino.
Destacou-se o início das atividades da escola no ano de 1910 com o Sr. Odilon Benvindo de Almeida, e a conseguinte administração de freiras da Ordem da Sagrada Família no período de 1911 – 1920.
O Engenho Triunfo
Recebidos pela guia e anfitriã Maria Júlia, o Engenho Triunfo foi inaugurado em 1994 e definido como Engenho Industrial produzindo cachaça. Maria Júlia é enfática ao dizer que sua empresa é “um sonho de amor”, já que partiu da idealização de seu marido a concretização desse bem familiar.
A guia abordou que a produção começou de uma maneira simplesmente empírica, porém, que viu a necessidade de tecnificação, ou seja, um preparo melhor, e que com esse preparo cresceram os lucros; explicou o processo de produção da cachaça, e a preocupação da empresa com o meio ambiente e com os funcionários.
Podemos perceber certa geograficidade na história do surgimento desse Engenho, já que a identidade com o mesmo era indiscutível, e o simbolismo e o pertencimento com o lugar também.
Considerações Finais
Olhar e descrever a paisagem com uma visão científica vai além de uma simples análise, confronta linhas de pensamentos e ideologias, e quando o aspecto cultural vira o método de abordagem, então, mais cuidadoso o trabalho se torna.
Confesso que não sei se atingi o proposto, mais que tentei, tentei. E tenho por base Paul Claval (2001)[1] quando diz que antes de mais nada a cultura é uma construção intelectual, me aproprio do autor para ratificar a linha cronológica que construí para narrar o dia de Estudo de Campo.
Entendendo também sob a luz de Claval (2001) que a realidade humana é fundamentalmente cultural, o município de Areia tem vivido em sua história essa verdade, berço cultural que atraiu e atraí os mais diversos olhares.
Pude constatar também, as paisagens desempenhando “o papel de suporte de mensagens e de símbolos” (CLAVAL, 2001. P.58), quando no discurso de Maria Júlia ela revela uma identidade emocional com a cidade, uma noção de pertencimento com aquela realidade. Também presentes nas falas dos guias, quando os mesmos de maneira explícita ou não enalteciam a Cidade.
Gomes (1996) afirma que “o saber é uma função da sensibilidade da interpretação” (p.33), nisso concordo com o autor, quando de maneira minuciosa na história areiense é possível encontrar quem dessa verdade se apoderou mesmo sem sabê-la, como é o caso da Família Almeida, presente na maioria dos fatos históricos relevantes sobre aquela realidade.
Por fim, mesmo com aquele dado intrigante fornecido pelo Guia Tiago na Mata do Pau Ferro, referente à sociedade não reconhecer aquele local e nem seu peso histórico, por outro lado, presenciei um amor excêntrico de Maria Júlia pelo seu marido, família, negócios, e claro, sua cidade. Contribuindo assim, mesmo que de maneira simples no que Claval (2001) diz ser o objetivo da geografia atual “compreender a maneira como as pessoas vivem sobre a Terra” (p.62), e nesse caso, como vivem em Areia – PB.
Referências
GOMES, Paulo Cesar da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato (orgs.). Matrizes da Geografia Cultural. Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.



