domingo, 26 de junho de 2011

Um estudo de Campo (Areia-PB)

O município de Areia – PB encontra-se localizado no Brejo Paraibano e tem em seu território fortes marcas do período de nossa colonização, servindo assim, como uma cidade histórica, um verdadeiro museu a céu aberto, e que foi tombado como patrimônio pelos Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) e pelo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). E foi a essa cidade, que no último dia 04 de Junho do corrente ano, que a turma do sexto período de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande do Campus Sede, organizada pelo Prof. Ms. Thiago Romeu ministrante da Disciplina Geografia Cultural visitou o lugar.
Na ocasião, tivemos como guias: Raffael Lima (guia principal do estudo), Tiago (guia da Mata do Pau Ferro) e Maria Júlia (guia e anfitriã do Engenho Triunfo). E como professor auxiliar, o Doutorando Lincoln Diniz.
As atividades foram distribuídas de acordo com tempo determinado para o Estudo, procurando presenciar os locais mais relevantes da Cidade. Como podemos observar abaixo, buscamos enfatizar um agrupamento de informações que nos traduzisse a história e cultura areiense.
Distribuição das Atividades durante o Dia de Estudo de Campo
Horário
Local Visitado
09h:15min
Passada pelo Município de Lagoa Seca – PB
10h:10min
Chegada ao Município de estudo: Areia – PB
11h:30min
Campus II da UFPB – Centro de Ciências Agrárias/CCA
12h:10min
Museu da Casa Grande – UFPB
12h:45min
Centro Histórico – Theatro Minerva
14h:22min
Bar do Chifre
14h:25min
Colégio Santa Rita
15h:20min
Engenho Triunfo

Algo interessante no município de Lagoa Seca – PB
Englobado na Região Metropolitana de Campina Grande (RMCG), o município de Lagoa Seca, apresenta uma marca interessante como limítrofe do Centro Urbano Campinense que é a presença dos condomínios horizontais. Só de passagem nessa área pudemos observar três dessas modalidades de moradia: o Sierra Home Resort, o Nações Residence Privê e o Atmosphera Residence. Constatando assim, uma reconfiguração nos usos desses espaços oriundos da nova dinâmica estabelecida com Lei Complementar 92/2009 e efetiva a RMCG.
A Paisagem do Brejo Paraibano
Chegada ao Município de Areia – PB e visita ao Parque Ecológico Mata do Pau Ferro
Chegamos à Região do Brejo Paraibano, mais precisamente no Município de Areia por volta das 10h:10min e com uma temperatura de 26ºC. Foram abordados temas como a significância da Cidade para todo o território nacional, e como resultado disso, salientou o guia Raffael Lima, Areia é a única Cidade da Paraíba tombada pelo IPHAEP e pelo IPHAN.
Foi discutido que a predominância arquitetônica da Cidade é colonial, ou seja, é de arquitetura portuguesa. Quando tratamos das culturas do lugar, o prof. Ms. Lincoln Diniz afirmou que é uma região de policultura regional, possuindo em sua circunvizinhança o surgimento de favelas devido às migrações do rural para o urbano. Salientou ainda, que é forte tanto no Brejo quanto no Agreste a pecuarização como cultura de produção.
Podemos perceber também, uma valorização imobiliária em Areia, já que a migração tem sido evidenciada. E como fruto disso, o condomínio Vales de Areia na entrada da Cidade marca esse processo.
Quando adentramos na Mata do Pau do Ferro, a presença do guia Tiago foi encorpada ao Grupo. Ele ressaltou que de 1922 a 2005 aquele lugar foi considerado uma Reserva Ecológica, e que a partir da metade de 2005 mudou-se essa nomenclatura, para Parque Ecológico, já que essa é mais abrangente.
O nome da mata para Pau Ferro é referente à presença dessa árvore que é da família do Pau Brasil é encontrada no Parque.
Fizemos a Trilha do Cumbre, um passeio básico e que passa as informações cruciais do lugar. A mata encontrada é a Atlântica, Mata de Brejo de Altitude. A área possui 607 hectares e com solo pobre.
No viés de consciência ambiental, o guia Tiago expos que com a presença dos jipeiros a trilha vem sendo paulatinamente destruída, e que a sociedade areiense não a importância devida nem a Mata nem a história que ela possui.
No CCA/UFPB...
Fundado por José Américo de Almeida em 1934, o Campus II da UFPB – Centro de Ciências Agrárias – foi a primeira Instituição de Ensino Superior do estado da Paraíba. Possui uma área de 150 hectares e muita história que para ser contada.
O local nos anos de 1800 foi o antigo Engenho da Várzea, nele encontramos bambu asiático trazido no início do século XX que podemos alcançar de 20 a 30m.
Encontramos ainda o Museu do Brejo Paraibano (conhecido como Museu da Rapadura), lá o guia Raffael Lima explanou sobre o modo de produção daquela época e fez a diferenciação entre engenho tradicional e o industrial, pautando que no encontrado no Campus era Industrial e com máquinas de tração humana e animal.
A Casa Grande (UFPB)
Na Casa Grande que hoje é um museu, foram explanados os costumes da época, as crenças, os mitos e a própria estrutura da casa.
O Centro Areiense
Ao percorrer as ruas do Centro de Areia víamos a história escrita nas casas, igrejas e estabelecimentos comerciais. Um local que não passou desapercebido foi o Theatro Minerva, o mais antigo do Estado da Paraíba.
Construído em 1859 por uma associação de moradores e com traços coloniais, o teatro ainda hoje é “vivo”, ou seja, é usado para apresentações culturais e está em boa conservação.
É importante destacar que, segundo o guia, o teatro serviu de inspiração para a criação dos outros três mais antigos do Estado, e dentre esses, o Theatro Santa Rosa, na Capital Paraibana João Pessoa.
O Bar do Chifre
Uma peculiaridade encontrada no município e que atrai um público seleto e a turistas, e que já teve reconhecimento tanto nacional quanto internacional é o Bar do Chifre. Um lugar descontraído, engraçado e que já faz parte da cultura daquele povo e daquele lugar.
“Quem leva chifre é privilegiado” afirma o Sr. Aurélio, gerente do bar, ao se referir a que público aquele ambiente é destinado, e para motivar a permanência do nosso grupo no local.
Colégio Santa Rita: Tradição e Referência
Dirigido por freiras de ordem franciscana e possuindo o marco zero com 618m de altitude acima do nível do mar, o Colégio Santa Rita é percebido e apresentado como uma escola de tradição na cidade, tendo os personagens areienses históricos que estudaram por lá, e como referência já que possui um padrão religioso no ensino.
Destacou-se o início das atividades da escola no ano de 1910 com o Sr. Odilon Benvindo de Almeida, e a conseguinte administração de freiras da Ordem da Sagrada Família no período de 1911 – 1920.
O Engenho Triunfo
Recebidos pela guia e anfitriã Maria Júlia, o Engenho Triunfo foi inaugurado em 1994 e definido como Engenho Industrial produzindo cachaça. Maria Júlia é enfática ao dizer que sua empresa é “um sonho de amor”, já que partiu da idealização de seu marido a concretização desse bem familiar.
A guia abordou que a produção começou de uma maneira simplesmente empírica, porém, que viu a necessidade de tecnificação, ou seja, um preparo melhor, e que com esse preparo cresceram os lucros; explicou o processo de produção da cachaça, e a preocupação da empresa com o meio ambiente e com os funcionários.
Podemos perceber certa geograficidade na história do surgimento desse Engenho, já que a identidade com o mesmo era indiscutível, e o simbolismo e o pertencimento com o lugar também.
Considerações Finais
Olhar e descrever a paisagem com uma visão científica vai além de uma simples análise, confronta linhas de pensamentos e ideologias, e quando o aspecto cultural vira o método de abordagem, então, mais cuidadoso o trabalho se torna.
Confesso que não sei se atingi o proposto, mais que tentei, tentei. E tenho por base Paul Claval (2001)[1] quando diz que antes de mais nada a cultura é uma construção intelectual, me aproprio do autor para ratificar a linha cronológica que construí para narrar o dia de Estudo de Campo.
Entendendo também sob a luz de Claval (2001) que a realidade humana é fundamentalmente cultural, o município de Areia tem vivido em sua história essa verdade, berço cultural que atraiu e atraí os mais diversos olhares.
Pude constatar também, as paisagens desempenhando “o papel de suporte de mensagens e de símbolos” (CLAVAL, 2001. P.58), quando no discurso de Maria Júlia ela revela uma identidade emocional com a cidade, uma noção de pertencimento com aquela realidade. Também presentes nas falas dos guias, quando os mesmos de maneira explícita ou não enalteciam a Cidade.
Gomes (1996) afirma que “o saber é uma função da sensibilidade da interpretação” (p.33), nisso concordo com o autor, quando de maneira minuciosa na história areiense é possível encontrar quem dessa verdade se apoderou mesmo sem sabê-la, como é o caso da Família Almeida, presente na maioria dos fatos históricos relevantes sobre aquela realidade.
Por fim, mesmo com aquele dado intrigante fornecido pelo Guia Tiago na Mata do Pau Ferro, referente à sociedade não reconhecer aquele local e nem seu peso histórico, por outro lado, presenciei um amor excêntrico de Maria Júlia pelo seu marido, família, negócios, e claro, sua cidade. Contribuindo assim, mesmo que de maneira simples no que Claval (2001) diz ser o objetivo da geografia atual “compreender a maneira como as pessoas vivem sobre a Terra” (p.62), e nesse caso, como vivem em Areia – PB.
Referências
GOMES, Paulo Cesar da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato (orgs.). Matrizes da Geografia Cultural. Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.


[1] Apud ROSENDAHL; CORRÊA (2001).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sobre o Discurso de Outrem


Discussão sobre o Discurso de Outrem, tendo por base o caso do assassinato do travesti em Campina Grande

Quando abordamos simbolismo é impossível fazê-lo se não tomarmos por referência base Pierre Bordieu com o seu livro Poder Simbólico, e quando tratamos do Discurso de outrem, como fazê-lo se Mikhail Bakhtin não for citado?
Para isso, nos propomos de uma maneira simples, analisar o discurso utilizado por três diferentes telejornais sobre o mesmo assunto: O assassinato de um travesti em Campina Grande-PB, na madrugada do dia 15 de abril de 2011 por volta das 04h:26min da manhã. As matérias foram exibidas no Bom Dia Brasil (Rede Globo), no Jornal do SBT (SBT) e no Itararé Notícias (Itararé/Cultura).
De início podemos utilizar Bakhtin (1997), quando o mesmo diz
A enunciação do narrador, tendo integrado na sua composição uma outra enunciação, elabora regras sintáticas, estilísticas e composicionais para assimilá-la parcialmente, para associá-la à sua própria unidade sintática, estilística e composicional, embora conservando, pelo menos sob uma forma rudimentar, a autonomia primitiva do discurso de outrem, sem que ele não poderia ser completamente compreendido ( BAKHTIN, p.145, 1997).
Ou seja, é inevitável que o discurso que foi colhido permaneça o mesmo quando for propagado, não quer dizer que seja editada a fala natural (podendo até ocorrer isso), mas sim o ordenamento em que a mesma foi imposta, ou melhor, no contexto em que ela for utilizada. Um bom exemplo também é o uso que estamos fazendo agora desse material, que dependendo de nossa visão é compreendido de uma determinada maneira, e sendo propagado, gerará em outros, diversas maneira de recepção.
Quando nos retemos as unidades sintáticas, estilísticas e composicionais de cada matéria é impossível dissociá-la da empresa que faz parte, e dos padrões e ideologias que as norteiam.
A matéria divulgada no Bom Dia Brasil, tem como título no canal de vídeos You Tube: Assassinato brutal de travesti em Campina Grande na Paraíba. O tempo de duração da reportagem foi de 2min:26s, fazendo link ao vivo, com exibição em cadeia nacional. Termos como bárbaro, brutal, crime hediondo, além de uma narração com tons de reprovação e apreensão caracterizaram a matéria.
A segunda foi do Itararé Notícias, tendo como título: CHOCANTEAssassinos de travesti em Campina Grande-PB. A reportagem teve uma duração de 3min:23s, com exibição para Campina Grande e Região Circunvizinha, apresentou-se mais minuciosa com detalhes do fato, como amostragem de carro utilizado para o assassinato, as armas do crime, além do mais, colheram depoimentos das autoridades sobre o caso. Vale ressaltar que, a justificativa do crime pelo responsável ainda foi citada.
A terceira e última matéria foi exibida pelo Jornal do SBT, intitulada por: Morte de travesti em CG – Reportagem Lídia Duarte – TV Borborema SBT.  O tempo destinado ao assunto foram de 1min:53s, e com transmissão em rede nacional. Nessa reportagem ficou clara a narração do fato, além de apresentarem informações como a justificativa do assassino pelo crime cometido, e a relação de parentesco de um participante do ato com o assassino.
Uma coisa que é peculiar é o tempo que variou de uma matéria para outra, além de uma inexatidão de informações, como que numa matéria o grau de parentesco de um dos envolvidos com o principal suspeito era de irmão, e em outra, era tio. Algo importante também, diz respeito à quantificação, trabalho com números, numa matéria o travesti foi morto com trinta facadas e em outra com trinta e duas facadas. Algo que gera no público uma desconfiança, e que no jornalismo acontece com freqüência (infelizmente).
Sendo assim percebemos mudanças de uma matéria para outra e concordamos com Bakhtin (1997) quando diz
A tendência analítica do discurso indireto manifesta-se principalmente pelo fato de que os elementos emocionais e afetivos do discurso não são literalmente transpostos ao discurso indireto, na medida em que não são expostos no conteúdo, mas nas formas de enunciação (BAKHTIN, p.159, 1997).
Fica claro que, está exatamente na maneira como fato é enunciado (contado) que a informação ganhará repercussão.
E por fim, é importante citar o verdadeiro objetivo na pesquisa em relação ao discurso de outrem, é como diz Bakhtin (1997) “(...) o objetivo verdadeiro da pesquisa deve ser justamente a interação dinâmica dessas duas dimensões, o discurso a transmitir e aquele que serve para transmiti-lo” p.148.

sábado, 23 de abril de 2011

Caravana #DT14 (pausa dentre tantas coisas)

Olá povo!

Mesmo cheio de tantas coisas, não poderia deixar desapercebido minha vontade de me alegrar......vem aí a 14ª gravação do cd/dvd do Diante do Trono em Natal/RN, no dia 16 de julho de 2011, na praia do meio. Estou organizando uma caravana e conto com vocês.

Nossa saída será por volta das 11h da manhã do Centro de Campina Grande....

Temos um preço bacana, e um povo legal..... vamos???

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Região Geográfica: esclarecendo o conceito e o papel do geógrafo num estudo de caso de Geiger (1951)


GEIGER, P. P. Alguns problemas geográficos na região entre Teófilo Otôni (Minas Gerais) e Colatina (Espírito Santo). In.: Revista Brasileira de Geografia V.13. N 03. P.79-118. 1951.
Pedro Pinchas Geiger possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1943) e doutorado em Programa de Pós Graduação Em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Globalização, Redes, Inserção do Brasil no Mundo, Mercosul, Urbanização Brasileira[1].
 Tem os seguintes livros publicados: As Formas do Espaço Brasileiro (2003/Zahar), Dimensões do Desenvolvimento Brasileiro (1978/Campus), Geografia Geral (1964/Delta), Geografia do Brasil (1964/Delta), Evolução da Rede Urbana do Brasil (1963/CBPE-MEC), e Estudos Rurais Na Baixada Fluminense (1956/IBGE).
O artigo de Geiser (1958) é sobre alguns problemas geográficos na região que corresponde a Teófilo Otôni – MG e Colatina – ES. O mesmo está divido em quatro partes: introdução, problemas de morfologia, problemas de Geografia Humana, e uma Bibliografia sobre a Região. É importante destacar também que, os tópicos referentes aos problemas, são desencadeados noutros com uma maior especificidade de cada realidade encontrada.
É relevante que traços de uma Região Geográfica com bases no possibilismo são perceptíveis nesse escrito de Geiger, o que nos remete até mesmo a sua proposta da Divisão Geoecônomica do Brasil em três regiões (1967).
A metodologia utilizada partiu da coleta de dados da Região determinada a partir de uma visita ao lugar. Quanto a sua forma, foi utilizado um aneróide do sistema de Paulin, onde comparados os dados do instrumento referentes à sua altitude observou-se que seu funcionamento era irregular o que lhe deu apenas uma noção dos reais dados. No que diz respeito aos limites da região estudada, para evitar conflitos, a peculiar divisão ficou como conseqüente da toponímia das serras e pelos acidentes do relevo, o que tornava difícil os limítrofes.
Ao debruçar-se na leitura do material, é possível perceber em suas primeiras linhas, Geiger (1951) caracterizar a Região estudada, expor problemas geográficos como o povoamento, a morfologia da “Grande Serra” e a devastação da mata do Vale do Rio Doce. E por fim, salientar que todos esses aspectos serão estudados de Região a Região.
Quando adentra nos “problemas de morfologia” ele aborda a questão da Grande Seca, caracteriza a região entre Governador Valadares e Teófilo Otôni, expõe ainda sobre o Bloco elevado desse último lugar. Depois disserta sobre o vale do rio doce, e descreve uma Região Natural na encosta da serra. E mesmo nesse aspecto, Geiger (1951) trata da ocupação dessa região tendo por base Prado Júnior em “Formação do Brasil Contemporâneo”. E ainda, disserta sobre o bloco ao norte do rio Doce.
Sobre os “problemas de Geografia Humana”, o autor fala abordando as culturas de produção existentes na região, a carência de estudos sobre os solos, esboça no viés das ocupações das regiões estudadas, ratifica a falta de informações com mais precisão sobre o clima, e o problema da ocupação humana com o impaludismo e a falta de informações sobre esse assunto. E defende algo interessante:
(...) não se deve procurar, apenas, nas razões físicas, as explicações para as diferentes utilizações do solo ou para expansão do povoamento. É importante verificar o processo histórico das relações dos elementos físicos e humanos, o estado dos mercados e comunicações, as classes e os grupos sociais (p.98)

Ainda sobre esse aspecto, Geiger (1951) fala das grandes vias de comunicação como sendo elos comerciais, conexões estaduais e rota de migração; salienta o problema da divisão estadual dos limites da Serra; e, sobre os grupos sociais e o aproveitamento da terra, inclusive o surgimento de uma classe social, a organização de como a terra está dividida, e as culturas e extrações nesse lugar.
No desfecho da obra, ele defende que o “traçado das bacias hidrográficas indica uma situação ‘conseqüente’ aos movimentos dos blocos e não ‘antecedente’”. E conclui que para a compreensão do aproveitamento da terra, é necessário conhecer o contexto, inclusive a estrutura, as relações sociais, e ao conjunto de políticas ao qual a região está conectada.
Enfim, é notável ideais de uma possibilista região geográfica, inclusive quando percebemos o tempo desse escrito que corresponde a 1951, período em que a produção da Revista Brasileira de Geografia estava em alta, e esse entrelaçamento de aspectos físicos e humanos ficavam mais evidentes. Corrêa (2007) diz que a região geográfica é “uma entidade concreta, palpável, um dado com vida (...) abrange uma paisagem e sua extensão territorial, onde se entrelaçam de modo harmonioso componentes humanos e natureza” (p.28,29), certos que podemos aceitar em partes essa afirmação, se partimos da indagação de até que ponto vai essa harmonia?
E ainda, podemos fazer o elo com Thrift (1995) quando ele faz menção de Vidal, Marx e Jameson onde cada um destes partindo de suas vivências caracterizam e definem região. Sendo mais detalhista, um mix é possível quando segundo a caracterização em classes sociais para a Marx é em proletários/capitalistas, e para Jameson é em classe média, no caso aqui estudado é possível enxergar essas duas evidências acontecendo ao mesmo tempo no mesmo lugar, a partir do momento em os modos de produção e extração são qualificados e o grande capital impõe sobre a classe média rural.
Outra coisa interessante que converge para uma aplicação de Região Geográfica, diz respeito ao papel do geógrafo por essa escola, que segundo Corrêa (2007) “é de reconhecê-la, descrevê-la e explicá-la, isto é, tornar claros os seus limites, seus elementos constituintes combinados entre si e os processos de sua formação e evolução” (p.29), e podemos dizer que Geiger pretendeu fazer durante todo o discorrer de seu trabalho, mesmo que às vezes reconhecendo que a quantidade de informação sobre o que estava tratando não era suficiente e até mesmo não eram exatas. E ainda, preocupando-se em expor a história de ocupações dos locais estudados.
Um terceiro ponto pertinente é sobre o olhar de Geiger voltado à Geografia Humana dentro desse recorte espacial quando o mesmo destaca termos como: o grande capital procurando lucros fáceis e imediatos, a extração de madeira, a história do Brasil, a colonização, a origem étnica, a pequena propriedade, a sociedade brasileira, e as autoridades – que nesse caso refere-se ao Estado. Todos esses aspectos corroborando para o seu perfil de pesquisador sobre a Urbanização Brasileira.
Por fim algo que está intrínseco a tudo isso é a produção do geográfico, alinhado as condições climáticas e as relações sociais.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Censura agora não dá!

Meu povo,
boa noite!
Depois de alguns dias sumido, trago aqui uma matéria na integra do site blogando 2.0, simbolizando meu repúdio a tentativa de censura em pleno século XXI. Não podemos deixar, que essa parte de nossa história seja apagada assim, de forma brusca...e autoritária!! De novo não!

Eis o texto:
http://blogando20.blogspot.com/2011/04/abaixo-assinado-feito-por-militares.html

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma breve análise no artigo 4º da Declaração Universal dos Direitos Humanos


Ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos emociona pela utopia encontrada no documento desde o seu preâmbulo. Como não questionar aquilo que não vemos aplicado em sua essência, totalidade, ou ao menos parcialidade? É sobre isso que me deterei, em apenas um artigo (4º), mais que defendo ser de interesse de uma massa populacional que rompe fronteiras político-administrativas.
O 4º artigo diz: “Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.” Daí partimos com a indagação: O que é considerado escravidão e servidão? Somente os maus tratos coloniais enfrentados pelos negros no período colonial? Esquecemos, portanto, dos abusos encontrados hoje em dia, nessa sociedade pós-moderna, e mais, campinense. Em que os funcionários do comércio da cidade vão além de suas jornadas de trabalhos defendidas na Constituição, em que empregadas domésticas recebem menos que o salário mínino ofertado, em que contratos assinados entre jovens o empresariado campinense favorece mais o capital do que o social, e em que os educadores tem-se de “se escravizar” em diversos empregos, porque seu piso salarial não sacia todas as suas necessidades.
Partindo dessas premissas básicas, num já percebemos que é vital uma revisão nas bases daquilo em que estamos fundados?! E que é possível encontrarmos em pleno século XXI uma reconfiguração naquilo que foi escravidão no passado, apresentando-se no presente, e querendo criar crostas para o futuro? Despertemos a sociedade civil organizada, e retifiquemos essas lacunas.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Teoria do Ator-Rede e sua contribuição para a Comunicação Contemporânea: Sob a luz do pensamento de André Lemos

No tempo em que a Convergência Midiática deixa de ser acessório e passa a ser ferramenta de trabalho, novas Teorias emergem com mais força, as “várias verdades” encontradas na Ciência corroboram para essa realidade. E nesse contexto, o Prof. Dr. André Lemos, na luz do pensamento de vários estudiosos e dentre eles o francês Burno Latour, tem-se debruçado estudando a Teoria do Ator-Rede na contemporaneidade.
Essa Teoria surge em meados das décadas de 80 e 90, no âmago das Ciências Sociais, como a Antropologia, Sociologia e Comunicação. Ela tenta compreender os diversos atores da vida em sociedade, os chamados Actantes, que segundo o professor é definido como: “tudo aquilo que gera uma ação, podendo ser humano e não-humano”. O bojo dessa teoria envolve o que surge das associações, os entrelaçamentos em rede. Rede essa, entendida como a forma de tais associações. No mais, essa teoria defende que não há consciência que nãos seja moldada; que os actantes agem sem hierarquia; que a mediação é o que um actante exerce sobre outro; aqui também a essência é desprezada (já que qualquer associação envolve o mix de intenções).
No que concernem as discussões da Comunicação Contemporânea, pode-se perceber uma nova área de pesquisas que a envolvam com a Teoria do Ator-Rede, já que segundo a mesma, tudo está associado, e na comunicação nada se perde dependendo da intencionalidade. Fica imbuído o desafio do elo entre a teoria e a ciência envolvendo aquilo que desde os primórdios é executado pela raça humana das mais diversas maneiras: o ato e o efeito de comunicar, tonar público.